DIREITO, LINGUAGEM E PODER: O JURIDIQUÊS COMO ARAME FARPADO DO ACESSO À JUSTIÇA

Autores

  • Anderson Ferreira Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
  • Iasmim Cristina Rodrigues Brilhante Centro Universitário de Lavras - Unilavras
  • Izilda Maria Nardocci Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Resumo

Este artigo estuda a relação entre Direito, linguagem e poder, especificando a prática do “juridiquês” no campo jurídico. Esse “estilo” de escrita jurídica, tomado aqui como “juridiquês”, tem atuado como arame farpado no acesso à Justiça, por isso, objetiva-se, particularmente, elencar alternativas e práticas para a sua abolição. Como aparato teórico-metodológico, mobiliza-se estudos dos campos da  Linguística, Sociologia, Antropologia e do Direito. Com base nisso, apresenta-se uma discussão sobre a escrita jurídica, Direito e poder; elenca-se as propostas institucionais para a simplificação da linguagem jurídica; e, por fim, produz-se uma prática de “tradução intralingual” – tradução para o mesmo idioma – e comentário de uma sentença produzida no âmbito do Tribunal de Justiça de São Paulo. Sem renunciar ao rigor e à precisão técnica da área, os resultados revelam que as alternativas para a questão passam pela simplificação da linguagem jurídica, ou seja, passam pela abolição do “juridiquês”, o que resultará em uma escrita simples, clara, objetiva e eficiente; estabelecedora de uma conexão direta entre o Direito e as demandas e necessidades da sociedade em geral. O que significa produzir uma escrita jurídica considerando as diferentes realidades socioculturais, de modo a permitir que a Justiça seja efetivamente acessível a todos.

Biografia do Autor

  • Anderson Ferreira, Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

    Doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

  • Iasmim Cristina Rodrigues Brilhante , Centro Universitário de Lavras - Unilavras

    Graduada em Direito no Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS); Graduanda em Letras (Português e Inglês) na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Participou do Núcleo de Estudos Multidisciplinar em Ciências Forenses (NECIF) pelo Centro Universitário de Lavras. Pesquisou sobre Direito e Poder e sua relação com a escrita jurídica. Atua como Revisora e Formatadora de textos acadêmicos. Atualmente, desenvolve pesquisa interseccionando Direito, Discurso e Linguagem no espaço digital.

  • Izilda Maria Nardocci, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Pós-doutorado, doutorado e mestrado em língua portuguesa pela PUC-SP; Especialização em tecnologias aplicadas à educação pela PUC/SP; Letras pela Faculdade de Educação São Luís- Jaboticabal/SP e Pedagogia pela Faculdade de Educação "Antonio Augusto Reis Neves" - Barretos/SP. Professora do departamento de português da PUC-SP e professora convidada da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo para atuar na gestão e planejamento pedagógico de cursos on-line a distância.

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2024-12-17 — Atualizado em 2024-12-17

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